Tu és areia e eu sou mar
Juntos sabemos como ensinar
Juntos sabemos como ensinar
O marinheiro a navegar
Eu sou cometa, tu és luar
Juntos sabemos como ensinar
Juntos sabemos como ensinar
O sol a pôr-se juntinho ao mar
Na nau princesa dum rei maior
Sigo de longe o teu farol
Sigo de longe o teu farol
Pois se me perco, fico sem amor
Já sopra o vento contra a maré
Vagas medonhas, levanto à ré
Âncora presa e em ti encalho
Anjo risonho por ti ganho asas
Beija-flor
Na boca guardo o sabor
Do cheiro que o vento leva
A paisagem já com cor
De verde e fresca giesta
No parapeito vaso e flor
Beldade da nossa ruela
E o beijo dum beija-flor
Quero cá dentro com ela
Do cheiro que o vento leva
A paisagem já com cor
De verde e fresca giesta
No parapeito vaso e flor
Beldade da nossa ruela
E o beijo dum beija-flor
Quero cá dentro com ela
Força
Dizes que a força da tristeza
É a maior que Deus detém
Sorris com tal avareza
Na razão de que és refém
Mas provo-te o contrário
Se a ti puder chegar
Com a voz do meu regaço
E um leito para deitar
É a maior que Deus detém
Sorris com tal avareza
Na razão de que és refém
Mas provo-te o contrário
Se a ti puder chegar
Com a voz do meu regaço
E um leito para deitar
Amor
Quem ama não recebe amor
Só leva dissabor p'ra onde quer que vá
Quem dá torna-se um trovador
E só conhece a dor da fiança
Adiante prossigo o caminho
Não há luz que brilhe, a luz da esperança
No final vejo a cara do amor
É a face de quem ainda não me ama
Só leva dissabor p'ra onde quer que vá
Quem dá torna-se um trovador
E só conhece a dor da fiança
Adiante prossigo o caminho
Não há luz que brilhe, a luz da esperança
No final vejo a cara do amor
É a face de quem ainda não me ama
Em mim
Tua voz é um espelho
Tua figura um anseio
És o desejo duma vida
Deixo assim nascer a flor
Que plantaste com primor
No regaço dum artista
De dia busco palavras
À noite ouço baladas
Outrora mais animadas
Parto para outro lugar
Desafio o céu e o mar
Mas tu em mim existes
Tua figura um anseio
És o desejo duma vida
Deixo assim nascer a flor
Que plantaste com primor
No regaço dum artista
De dia busco palavras
À noite ouço baladas
Outrora mais animadas
Parto para outro lugar
Desafio o céu e o mar
Mas tu em mim existes
Dafundo
Pela janela avisto o rio
As travessuras num navio
E a noite com o seu luar
Passo assim p'lo Dafundo
Com este passo bem curto
E o meu nome ouço chamar
Sobre carris pensamentos
Uma história sem presente
Ou futuro para contar
Ao Cais chego já escuro
Mas ainda com esperança
Do amor reencontrar
Fugir
À noite choro cansado
De dia desanimado
Com a dura realidade
Do fado que há em mim
O fado é a verdade
Mas também é a saudade
Daquilo que tem um fim
Podes fugir, ir embora
Mas sei que virás de fora
Quando eu não estiver p’ra ti
Nesse dia chorarás
e por mim suplicarás
Quando a ribeira tiver fim
E a ribeira terá fim
De dia desanimado
Com a dura realidade
Do fado que há em mim
O fado é a verdade
Mas também é a saudade
Daquilo que tem um fim
Podes fugir, ir embora
Mas sei que virás de fora
Quando eu não estiver p’ra ti
Nesse dia chorarás
e por mim suplicarás
Quando a ribeira tiver fim
E a ribeira terá fim
Longa Noite
A noite cai sobre mim
Como chuva de água quente
Que aquece o mar bravio
Pelo bairro, pela rua
A saudade fica tua
Pois estou longe de ti
Fumo mais este cigarro
E brindo à bela cidade
Com um copo de anis
No final, ao ver nascer
Mais um dia desta vida
A saudade torna a mim
Como chuva de água quente
Que aquece o mar bravio
Pelo bairro, pela rua
A saudade fica tua
Pois estou longe de ti
Fumo mais este cigarro
E brindo à bela cidade
Com um copo de anis
No final, ao ver nascer
Mais um dia desta vida
A saudade torna a mim
Rio e Mar
Fui levado por um rio
Fui levado por um frio
Até ao fundo do mar
Na corrente um navio
Fui chamado pela brisa
Para um novo despertar
A sereia cantarolou
Os pássaros bandidos
Desviaram-me o olhar
No final desta viagem
Fica a mágoa da paragem
E teu rosto para lembrar
Fui levado por um frio
Até ao fundo do mar
Na corrente um navio
Fui chamado pela brisa
Para um novo despertar
A sereia cantarolou
Os pássaros bandidos
Desviaram-me o olhar
No final desta viagem
Fica a mágoa da paragem
E teu rosto para lembrar
Desilusão
Esperei pelo teu perdão
Após a desilusão
Com promessas dum olhar
Hoje enfim dou-te razão
Já que o meu coração
Não pode em ti confiar
O passado tem um nome
O futuro um vislumbre
Do que aqui há-de passar
Mas espero que não tornes
Novamente com teus olhos
Um coração desfeito por amar
Após a desilusão
Com promessas dum olhar
Hoje enfim dou-te razão
Já que o meu coração
Não pode em ti confiar
O passado tem um nome
O futuro um vislumbre
Do que aqui há-de passar
Mas espero que não tornes
Novamente com teus olhos
Um coração desfeito por amar
Um fim
Este fado é a certeza
Duma súbita tristeza
Que padece sobre mim
Mas essa tua leveza
Tua gentil subtileza
Ilumina um mar sem fim
Serei teu quando disseres
Que me queres, até ao fim…
Serei teu se me quiseres
Mas só se deres ao fado um fim…
Duma súbita tristeza
Que padece sobre mim
Mas essa tua leveza
Tua gentil subtileza
Ilumina um mar sem fim
Serei teu quando disseres
Que me queres, até ao fim…
Serei teu se me quiseres
Mas só se deres ao fado um fim…
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