Diz-me

 Diz-me de que és feito

Diz-me qual a matéria 

Diz-me qual o segredo do inatingível 

Diz-me qual a voz que ecoa do fundo da tua alma

Diz-me que voz tens para eu ouvir

Diz-me o que te sustém 

Diz-me ao que deve fazer soar 


As palavras terão algum intento?

As palavras esss meros sons, articulações, encadeamentos, símbolos dos nadas e dos tudos, símbolos do quê?

Diz-me...tens mesmo alguma palavra a dizer?

As mulheres aguentam tudo

 ...Até os homens elas aguentam.

Parte I - La jeunésse

Cassandra vivia com a ansiedade do amanhã nunca chegar...Ideias, acções, confusões e o que mais houvesse...Sem parar para respirar com a mente sempre a comandar e um corpo leve como uma pena quase sem que o mesmo praticamente existisse ou pesasse ao ar. Cassandra ansiava o futuro, vivia apenas no futuro: projecções, visões, previsões. Deitava-se e acordava já a conjecturar. 

Dava de si, dava o que tinha, colocava a vida "a prego" sempre com a esperança de que o amanhã é que Seria...Amanhã seria certamente o Dia! E um dia bonito e perfeito. Porque Cassandra tudo dava, incansavelmente, à vida!