Onde guardas tu? Todas as tuas palavras...
Aquelas que ninguém irá conhecer.
Terás em ti arquivo com espaço suficiente,
Para tudo o que ficou por dizer?
Onde guardas tu? Todas as tuas palavras...
Aquelas que ninguém irá conhecer.
Terás em ti arquivo com espaço suficiente,
Para tudo o que ficou por dizer?
Fugir pode ser uma saída contudo não é a solução....Fugir pode ser muitas vezes a única coisa possível a fazer no momento ou a coisa mais correta de se fazer...Contudo, sublinho, não é a solução...Quando fugimos duma situação é por medo, dor, insegurança, desilusão, incapacidade de lidar...Ainda sim, re-sublinho, não é a solução...Pode ser uma "solução" temporária...mas. No entanto, nem tudo tem que ter uma "solução" se usarmos a verdadeira essência desta palavra...Talvez tenhamos que passar pelos momentos mais desagradáveis, sinistros ou até terríveis para criarmos em nós a capacidade de nos revermos, de nos desenvolvermos, de nos apurarmos, de nos desenrascarmos...Talvez tenhamos que passar pela experiência do abandono (abandonar ou sermos abandonados) para perceber em que tipo de filme estamos a participar ... ou qual a personagem que temos neste livro que é a nossa vida...No fundo o que pretendo dizer é somente que a fuga enquanto alienação a meu ver não é solução...O ato de fuga tem os seus motivos, e válidos sobretudo para quem o pratica...Mas a fuga enquanto alienação sem a busca de um entendimento mais profundo e longitudinal (que tem com certeza também os seus motivos -embora mais preocupantes ou nefastos para os intervenientes, veja-se o exemplo do motivo pós-traumático) leva-me a continuar a acreditar que não é a solução. Mas afinal do que andamos a fugir? Será que todos fugimos de algo? Há pessoas que não precisam ou não fogem de nada? E se fugimos fazê-mo-lo em consciência ou sem sequer pensar nisso?
Diz-me de que és feito
Diz-me qual a matéria
Diz-me qual o segredo do inatingível
Diz-me qual a voz que ecoa do fundo da tua alma
Diz-me que voz tens para eu ouvir
Diz-me o que te sustém
Diz-me ao que deve fazer soar
As palavras terão algum intento?
As palavras esss meros sons, articulações, encadeamentos, símbolos dos nadas e dos tudos, símbolos do quê?
Diz-me...tens mesmo alguma palavra a dizer?
...Até os homens elas aguentam.
Parte I - La jeunésse
Cassandra vivia com a ansiedade do amanhã nunca chegar...Ideias, acções, confusões e o que mais houvesse...Sem parar para respirar com a mente sempre a comandar e um corpo leve como uma pena quase sem que o mesmo praticamente existisse ou pesasse ao ar. Cassandra ansiava o futuro, vivia apenas no futuro: projecções, visões, previsões. Deitava-se e acordava já a conjecturar.
Dava de si, dava o que tinha, colocava a vida "a prego" sempre com a esperança de que o amanhã é que Seria...Amanhã seria certamente o Dia! E um dia bonito e perfeito. Porque Cassandra tudo dava, incansavelmente, à vida!
Ele é uma estrela cadente
Daquelas que apenas temos a sorte de avistar
Quando olhamos despretensiosamente o céu
Numa noite quente de verão
Ele é um astro incandescente
Cuja luz ofuscante está à vista de todos
Contudo ele apenas é visível para quem quer
Como o Sol,
Como a Lua,
Como Vénus,
Como um qualquer corpo celestial em movimento
Ele é e será sempre um artista que deixa o seu rasto...
Suspiro…
Quando não te avisto
Quando não te toco
Quando não te cheiro
Suspiro…
Após o teu beijo
Após o teu abraço
Após a tua voz
Suspiro…
No sol da tarde
No calor da noite
No frio da manhã
Deliro…
Nos teus braços
Sob o teu corpo
Entre as tuas mãos